You are currently viewing Importação em Santa Catarina: o que o 1T2026 revela sobre a balança catarinense

Importação em Santa Catarina: o que o 1T2026 revela sobre a balança catarinense

Por Jair | SB Trade, referência em Comércio Exterior

SC exportou US$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Importou US$ 8,8 bilhões.

A diferença é US$ 6,1 bilhões. O importador catarinense move mais de três vezes o valor das exportações, e o noticiário local cobriu o quê? As exportações.

Esse padrão não é acidental. A narrativa do comércio exterior no Brasil foi construída em cima do exportador: o produtor rural, a proteína animal, o superávit. São histórias com números grandes e protagonistas visíveis. O importador, que move mais dinheiro, fica fora da conversa.

Os dados da balança comercial de Santa Catarina no 1T2026, consolidados pela FIESC com base no MDIC/COMEXSTAT, merecem uma leitura mais atenta do que receberam.

Balança comercial de Santa Catarina no 1T2026: o que os números mostram

As exportações de Santa Catarina recuaram 2,6% na comparação com o mesmo período de 2025, totalizando US$ 2,7 bilhões. Carnes de aves lideraram a pauta com US$ 633 milhões (+9,1%). Carne suína veio em segundo, com US$ 425 milhões (+6,9%).

As importações cresceram 0,9% e chegaram a US$ 8,8 bilhões. Os principais produtos importados pelo estado foram cobre refinado (US$ 457 milhões, alta de 26%), pneus de borracha (+83,1%) e peças para veículos (+15,7%).

A China assumiu o primeiro lugar nas origens das importações catarinenses, com US$ 3,9 bilhões, avanço de 0,4% sobre o ano anterior. O Chile veio em segundo, com US$ 581,9 milhões (+7,5%).

Esses números revelam uma estrutura de dependência concentrada: 44% do total importado por SC vem de um único país. Qualquer alteração nas relações sino-brasileiras, nos custos de frete no Pacífico ou nas políticas aduaneiras da China afeta diretamente as operações de importação no estado.

Tarifas Trump derrubam exportações de SC para os EUA em 44,6%

As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos caíram 44,6% no acumulado de janeiro a março de 2026. A causa direta são as tarifas de 50% impostas pela administração Trump sobre produtos catarinenses, com impacto forte em móveis, peças para motores e obras de carpintaria.

O Japão cresceu 35,4% como destino das exportações catarinenses, resultado da forte demanda por carne suína. China assumiu posição central tanto nas exportações quanto nas importações do estado.

Para quem exportava com o corredor para os EUA como principal rota, a reconfiguração já começou. Novos mercados estão sendo negociados. Mas cada mudança de destino tem custo operacional concreto: revisão de NCM, nova Licença de Importação, negociação de frete diferente, seguro recalculado. Quem não estava preparado pagou duas vezes, uma na tarifa e outra na reconfiguração da operação.

O impacto das tarifas Trump no importador catarinense

Quem importa vive o reflexo desse mesmo cenário. Dólar alto comprime margem. Fornecedor global impactado por tarifas americanas repassa custo para os elos seguintes da cadeia. Quando a cadeia global se reorganiza, o importador precisa se reorganizar junto, queira ou não.

O componente que vinha de uma rota consolidada pode estar congestionado em outro porto agora. O lead time que era de 40 dias passou para 65. O preço CIF subiu sem que nenhuma nota fiscal tenha aumentado nominalmente. Esse tipo de impacto raramente aparece no noticiário. Aparece todo mês na mesa de quem opera importação real em Santa Catarina.

O crescimento de 83,1% nas importações de pneus de borracha e de 15,7% em peças para veículos mostram setores que estão respondendo a essa demanda reprimida. São operações que precisam de gestão ativa de licenças, NCMs e câmbio para não virar custo extra.

O que os dados do 1T2026 sinalizam para os próximos meses

Os dados do primeiro trimestre são um mapa, não uma fotografia. As exportações para os EUA caindo agora refletem pedidos cancelados ou renegociados meses antes. O que está sendo decidido nas mesas de compra hoje vai aparecer nos números do terceiro trimestre de 2026.

Para o importador, o sinal mais importante é a concentração crescente de fornecimento. Com 44% das importações vindas da China, qualquer oscilação nas relações comerciais entre os dois países, nos custos de frete no Pacífico ou na política cambial do yuan impacta diretamente quem importa em SC.

Diversificação de fornecedor saiu do plano de médio prazo e virou demanda do trimestre. O empresário que hoje está revisando origens de fornecimento, reavaliando NCMs e negociando novos contratos de câmbio vai chegar ao segundo semestre com margem. Quem esperar o problema aparecer no SISCOMEX vai chegar com pressa.

Como a SB Trade lê esse cenário

Na SB Trade, referência em Comércio Exterior, o perfil mais comum de empresa que nos procura é o de quem chegou depois que o problema já estava instalado. Contêiner parado. LI vencida. Mercadoria retida.

O dado do 1T2026 é exatamente o tipo de sinal que deveria ser lido antes de fechar a próxima ordem de compra. Quem lê o número certo, na hora certa, toma uma decisão diferente.

Se a sua empresa importa e opera em Santa Catarina ou em outros estados, esse cenário de concentração de origem e volatilidade de rotas pede uma revisão estratégica da operação agora, não depois.

Perguntas frequentes sobre importação em Santa Catarina

Quanto Santa Catarina importou no primeiro trimestre de 2026?
As importações de Santa Catarina somaram US$ 8,8 bilhões no 1T2026, crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do MDIC/COMEXSTAT consolidados pela FIESC.

Qual foi o principal produto importado por SC no 1T2026?
O cobre refinado liderou as importações catarinenses no período, com US$ 457 milhões e alta de 26% sobre 2025.

Por que as exportações de SC para os EUA caíram em 2026?
As exportações de SC para os Estados Unidos recuaram 44,6% no 1T2026 por causa das tarifas de 50% impostas pela administração Trump sobre produtos catarinenses como móveis, peças para motores e obras de carpintaria.

Qual país lidera as importações catarinenses?
A China é a principal origem das importações de Santa Catarina, representando US$ 3,9 bilhões (cerca de 44% do total) no primeiro trimestre de 2026.

Qual o impacto do dólar alto para o importador catarinense?
Dólar alto eleva o custo CIF das mercadorias, comprime margem operacional e força revisão de contratos de câmbio. Setores com alta dependência de insumos importados, como eletrônicos e autopeças, são os mais afetados.

Referências

Leave a Reply